Setembro Amarelo: falar de dinheiro também é falar de vida

Todo mês de setembro, laços amarelos aparecem em prédios, redes sociais e conversas de corredor. É o Setembro Amarelo, campanha de conscientização e prevenção ao suicídio que, no Brasil, existe desde 2014 por iniciativa do Centro de Valorização da Vida (CVV), em parceria com a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) e o Conselho Federal de Medicina. O símbolo tem uma origem pontual nos Estados Unidos. Em 1994, a família e os amigos de Mike Emme, um jovem de 17 anos que restaurara um Mustang 68 e o pintara de amarelo, distribuíram no velório dele cartões com a mensagem “se você precisar, peça ajuda”. Aquele gesto se tornou símbolo de um movimento que hoje atravessa o mundo, com o dia 10 de setembro marcado como o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio.

O que o dinheiro tem a ver com isso
O mês de setembro convida a olhar para causas de sofrimento emocional que costumam passar em silêncio e o dinheiro é uma das mais recorrentes. Pesquisas recentes ajudam a entender a dimensão do problema. O Raio-X da Saúde Financeira dos Brasileiros, estudo da fintech Onze em parceria com a Icatu, ouviu mais de 8,7 mil pessoas em 2025 e identificou que quase metade delas aponta o dinheiro como principal fonte de preocupação, mais do que saúde, família, trabalho ou política. No mesmo levantamento, a maioria afirmou não ter reserva para lidar com emergências, e cerca de sete em cada dez entrevistados relataram que a situação financeira afeta negativamente o próprio bem-estar mental, com sintomas como ansiedade, insônia e episódios depressivos.

Esses números confirmam algo que muitos sentem na pele, mas raramente verbalizam, enquanto as contas se acumulam. Não é força de expressão dizer que dívida pesa, pois o estresse financeiro crônico ativa mecanismos biológicos reais, elevando níveis de cortisol e prejudicando funções como memória, atenção e capacidade de decisão. A pressão financeira deixa de ser só uma questão prática e se torna um gatilho emocional que se instala no dia a dia.

Controle importa mais do que a dívida em si
A psicologia econômica revela que, muitas vezes, a sensação de não ter domínio sobre a própria vida financeira pesa tanto quanto, ou mais, que a dívida propriamente dita. Alguém que compreende sua situação, mesmo endividado, organiza gastos e traça metas realistas tende a se sentir mais seguro do que alguém que evita olhar para os boletos por medo do que vai encontrar. Essa fuga, embora compreensível, amplia a sensação de impotência e é justamente essa impotência, mais do que o valor da dívida, que fragiliza a saúde mental.

Isso ajuda a explicar por que bem-estar financeiro não significa ausência de dívidas ou abundância de recursos. Significa, sobretudo, ter clareza sobre a própria situação, sentir segurança no presente e perceber que ainda há espaço para sonhos de médio e longo prazo, mantendo uma sensação de equilíbrio.

Romper o silêncio faz parte do cuidado
Falar de dinheiro ainda é tabu em muitas famílias e ambientes de trabalho. O medo do julgamento faz com que dificuldades financeiras sejam escondidas, o que intensifica o isolamento emocional de quem já está sobrecarregado. Romper esse silêncio e abrir espaço para conversas honestas sobre finanças, seja em casa, seja no trabalho, é, na prática, um gesto de cuidado coletivo. Da mesma forma que buscar apoio psicológico pode ser decisivo em um momento difícil, buscar orientação financeira também tem esse potencial, pois reduz a confusão, organiza o que parecia incontrolável e devolve a sensação de que existe caminho.

É aqui que a educação previdenciária encontra um propósito genuíno. Pensar no longo prazo, entender como funciona a acumulação de recursos ao longo dos anos, ter clareza sobre a própria trajetória até a aposentadoria, não elimina as dificuldades do presente, mas oferece uma perspectiva. E ter horizonte, sentir que o futuro tem contornos possíveis, é parte do que sustenta a esperança diante de momentos de angústia.

Neste Setembro Amarelo, vale a pena refletir sobre como você está se sentido em relação às finanças. Sua relação com o dinheiro tem sido fonte de segurança ou de sofrimento silencioso? E, se for a segunda opção, você já considerou que pedir ajuda financeira ou emocional pode ser o primeiro passo para aliviar esse peso?

Se você ou alguém que você conhece está passando por um momento difícil, o Centro de Valorização da Vida (CVV) oferece apoio emocional gratuito e confidencial pelo telefone 188, disponível 24 horas por dia, todos os dias da semana.

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1 respostas em "Setembro Amarelo: falar de dinheiro também é falar de vida"

  1. Muito triste essa situação! Temos também que nos apegar com Deus.

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